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Entrevista
com Luciano Burti:
Por
Breno da Rocha Lima
1-Atualmente, como piloto de testes da Jaguar,
você tem realizado excelentes treinos, superando algumas
vezes os pilotos titulares da equipe, Irvine e Herbert.
Isso tem gerado um clima de rivalidade, atrapalhando
o relacionamento entre vocês?
LUCIANO
BURTI: O meu relacionamento com os pilotos da Jaguar
é bom, mas é lógico que, num ambiente tão competitivo
como a F-1, há rivalidade entre nós. No início, eles
achavam que eu era apenas um moleque que ia testar o
carro de vez em quando, mas, depois dos bons treinos
que fiz neste ano, os dois viram que devem me respeitar.
E, de fato, acho que eles agora me respeitam como piloto.
Com os boatos de que eu entraria na vaga do Johnny,
é claro que a nossa relação ficou mais distante, mas
ele sabe que não sou o responsável por essas fofocas.
2-A equipe Stewart, sem dúvida alguma, foi
a grande revelação da última temporada, sendo adquirida
pela Ford e "batizada" com o nome Jaguar. Entretanto,
neste ano a escuderia ainda não pontuou, apesar dos
grandes investimentos da Ford. Como está o desenvolvimento
do carro?
Uma
equipe com a infra-estrutura da Jaguar quer brigar por
vitórias, de igual para igual com uma Ferrari ou McLaren.
Mas na F-1 tudo demanda tempo. De certo modo, a equipe
está evoluindo. Veja, por exemplo, que no GP de San
Marino o carro andou melhor, principalmente por causa
de um novo pacote aerodinâmico. Além disso, os dois
carros chegaram ao final, mostrando que a confiabilidade
melhorou. Existe ainda muito trabalho a ser feito, mas
sem dúvida a equipe está crescendo. Faltam também desenvolver
alguns detalhes, como a construção do nosso próprio
túnel de vento.
3-O caminho natural de um piloto atualmente
é disputar a F-3000 logo após a F-3. No entanto, recentemente
você anunciou que dará dedicação exclusiva à Jaguar
neste ano, abdicando da disputa da F-3000. Considera
viável a transferência da F-3 para F-1, como realizada
por Jenson Button? A falta de uma disputa direta com
outros pilotos neste ano inteiro não prejudicará sua
carreira?
A
transferência da F-3 para a F-1 não é problema. Claro
que a experiência na F-3000 é importante, mas, no meu
caso, não, pois eu consegui um contrato muito bom com
a Jaguar, que me permite ter uma quilometragem de testes
equivalente a distância de 20 GPs. Além disso, acho
que o mais importante é o talento do piloto. Veja o
Schumacher, por exemplo. Ele não deixaria de ser um
campeão só porque não guiou na F-3000. A falta de disputa
com outros pilotos também não é problema. Disputar posição
é uma atividade inata do piloto, assim como um nadador
não esquece como é dar uma braçada.
4-Johnny Herbert não vem apresentando bons
resultados nesta temporada. Determinados grupos da imprensa
européia afirmam que o piloto inglês abandonará a F-1
após o GP da Inglaterra, sendo subsituído por você.
Está preparado para estrear na F-1 como piloto titular
de uma forte equipe como a Jaguar?
Estou
mais preparado do que nunca, tanto na parte física quanto
psicológica. As experiências que tive nos treinos com
a F-1 me deram certeza de que posso competir de igual
para igual com os outros pilotos. Mas tenho paciência
para aguardar minha estréia com naturalidade. Os boatos
são realmente fortes, e, como diz o ditado popular,
onde há fumaça, há fogo. Mas não sei se a equipe vai
substituir agora um de seus pilotos. Mas eles têm todo
o direito de fazer isso. Só sei que, se for necessário,
estarei pronto para retribuir a confiança que a equipe
deposita em mim.
5-A popularidade da Formula 1 vem crescendo
muito no Brasil diante da transferência de Rubens Barrichello
para a Ferrari. Como você analisa o desempenho de Rubinho
nas primeiras provas do ano e o que espera do brasileiro
ao longo desta temporada?
O
desempenho do Rubinho foi muito bom nas duas primeiras
provas. Em San Marino, de fato, ele não foi bem, mas
acredito que isso tenha acontecido porque ele não encontrou
o melhor acerto para o seu carro naquela pista. Acho
que ele deve vencer pelo menos uma corrida neste ano,
mas, ao mesmo tempo, a torcida tem que compreender que
este é o primeiro ano dele numa equipe de ponta que
tem como piloto Michael Schumacher. É um ano de bastante
aprendizado para, aí sim, em 2001, tentar brigar de
igual para igual.
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