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ENTREVISTA

Entrevista com Ricardo Zonta:
Por Breno da Rocha Lima

1-Embora o carro do último ano da BAR tenha se mostrado rápido em algumas corridas, ele não era confiável, quebrando inúmeras vezes ao longo da temporada. No entanto, este ano a equipe contará com motores Honda. Quais são as perspectivas da BAR com o novo carro? A meta é conquistar pelo menos um pódio?
      RICARDO ZONTA: O carro deste ano já é muito melhor do que o do ano passado, isso deu pra perceber neste início de ano. Com a ajuda do motor Honda, que além de rápido é muito confiável, tenho certeza que vamos ter bons resultados. Um pódio será conseqüência de um bom trabalho de toda a equipe e também de um pouco de sorte, mas não acho que seja um sonho muito distante.

2-Depois de muitos anos o Brasil voltou a ter um piloto numa equipe de ponta: Rubens Barrichello trocou a Stewart pela Ferrari. Acredita que essa transferência diminuirá a pressão da mídia exercida sobre você e Diniz, recaindo apenas em Rubinho?
      Num primeiro momento acredito que a pressão estará mesmo no Rubinho, mas a própria presença dele na Ferrari e com certeza com bons resultados, vai levantar o automobilismo no Brasil, e aí nós todos seremos cobrados, haverá sempre uma expectativa em torno dos resultados de todos nós. Mas isso tudo é muito menor do que a pressão que nós mesmos nos colocamos. Cada piloto se cobra muito mais do que as pessoas imaginam.

3-No último ano você sofreu um grave acidente em Interlagos, que o deixou fora de várias corridas. Como lidar com o medo de novos acidentes, logo ao retornar às pistas?
      Não podemos pensar em acidentes. Temos que estar concentrados no carro, na pista, na equipe e não sobra tempo pra pensar em coisas desse tipo. Nem mesmo no momento em que acontece, você se desconcentra. Em Interlagos, quando saí do carro, não sentia dor e enquanto me levavam para o hospital de helicóptero eu pedi pra que avisassem minha equipe para preparar o carro reserva. Só não sabia que ia sair do hospital apenas 5 dias depois.

4-Qual a sua maior amizade entre os estrangeiros do circo da Fórmula 1? Como é o relacionamento com seu companheiro Jacques Villeneuve? Existe uma ajuda mútua em busca de um melhor acerto do carro?
      Com o Jacuqes tenho uma relação profissional. É difícil manter uma amizade com uma pessoa que está com você apenas na hora do trabalho e poucos dias por ano. Mas existe, claro, uma troca de informações para o acerto do carro. Tenho mais amizade mesmo com os brasileiros.

5-Você tem um contrato com a McLaren e está “emprestado” a BAR desde o ano passado. Seu objetivo é fazer uma grande temporada para garantir um lugar na escuderia inglesa no próximo ano?
      Não nego que tenho o sonho e a vontade de um dia guiar para a McLaren, mas isso por enquanto é um pouco cedo para pensar. Primeiro tenho que ganhar bastante experiência, depois conquistar pódios e pontos e então poder considerar as melhores oportunidades pra mim na F1.

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