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COLUNAS

GP da Inglaterra:
Rafael Ligeiro - Março de 2007 - Declínio momentâneo para Bruno

      Se em 2007 Bruno Senna dá mais um importante passo rumo à Fórmula-1 ao assinar com a equipe Arden de GP2, nos Estados Unidos a carreira de outro Bruno, mas de sobrenome Junqueira, passa por um momento delicado. Após perder um cockpit na Newman-Haas, equipe em que disputou as últimas quatro temporadas da Champ Car e uma das maiores do automobilismo norte-americano, o mineiro participou de recentes testes coletivos da categoria ao volante de um carro da modesta equipe Dale Coyne.
      É bem verdade que o destino do piloto nas pistas para o próximo campeonato ainda não foi definido - ou, pelo menos, divulgado - até o fechamento dessa coluna. Em outras palavras, uma vaguinha das boas ainda pode pintar em outra categoria ou até na própria Champ Car. Além disso, a Dale Coyne, caminho mais cogitado para o brasileiro nesse ano, evoluiu nas últimas temporadas e perdeu o rótulo de time de "último pelotão". Contudo, é inegável que o momento, lamentavelmente, é de declínio na carreira de Bruno Junqueira.
      Na verdade, considero Junqueira um injustiçado. Não por perder uma vaga de titular na Williams para Jenson Button no primeiro "vestibular" de um brasileiro na equipe de Grove, durante a pré-temporada de 2000. Tampouco pela saída da Newman-Haas - uma vez que os resultados do mineiro nos últimos dois campeonatos deixaram a desejar. Mas sim pelo que escutei de alguns colegas da imprensa em inúmeras ocasiões nos últimos anos: a esdrúxula tese de que Bruno não é um bom piloto.
      Logicamente, abdico a qualquer lapso de ufanismo. Esse sentimento cabe ao Policarpo Quaresma, personagem patriota que em 1915 protagonizava obra literária de Lima Barreto. De fato, Junqueira nunca foi um "foguete" nas pistas. No entanto, também não se encaixa no perfil de "chicane ambulante". Trata-se de um piloto competente e que se adapta muito bem a mudanças de equipamento. Prova disso foi o excelente rendimento em circuitos ovais logo em seus dois primeiros anos no automobilismo top dos Estados Unidos. Aliás, lembro muito bem de alguns desempenhos memoráveis do "tri vice-campeão" de Champ Car nesse tipo de circuito.
      Em 2002, durante etapa em Motegi, no Japão, Bruno, com um acerto redondinho para o seu Lola-Toyota, pisou tão fundo no acelerador durante a corrida que parecia querer colocar uma volta de vantagem nele próprio... Recebeu a quadriculada mais de 11 segundos à frente do segundo colocado, um giro à frente do terceiro e dois à frente do quarto. Ainda nesse ano foi pole position nas 500 Milhas de Indianápolis e venceu a Copa dos Ovais, campeonato da Champ Car que contabilizava pontos conquistados pelos pilotos apenas em ovais.
      No ano anterior, durante o desembarque na categoria, Junqueira cravou a pole logo no primeiro treino nesse tipo de circuito, em Milwaukee. Talvez muitos não levassem fé, mas inscrito quase de última hora com um carro reserva da Chip Ganassi nas 500 Milhas de Indianápolis, o mineiro terminou em quinto lugar. Bons resultados à parte, creio que um dos fatores que mais contribuíram para a derrocada de Bruno foi não saber lidar com a cobrança por resultados. Em 2003, era apontado - com sobras - como principal candidato ao título da temporada. Estava numa equipe grande, a Newman-Haas, e o companheiro de time, Sebastien Bourdais, apesar de rápido, teria de encarar os desafios comunais a um estreante no certame. Resultado: Junqueira ficou com o vice-campeonato.
      É bem verdade que o canadense Paul Tracy, também com equipamento competitivo em mãos, teve ano "iluminado" e ficou merecidamente com o título. Mas o mineiro cometeu erros patéticos em algumas corridas e perdeu a chance de disputar o campeonato de modo mais incisivo com Tracy. Talvez Junqueira sentiu-se pressionado pelo fato de suceder ao conterrâneo Cristiano da Matta na Newman-Haas, que no ano anterior tinha faturado o caneco de maneira avassaladora. Aliás, o Brasil vinha de três títulos consecutivos na categoria. Além da vitória de Kiki em 2002, Gil de Ferran ganhou os campeonatos de 2000 e 2001. Mais que os títulos, outros fatores comprovam a supremacia brasileira na Champ Car entre 2000 e 2002. Nesses três anos, o Brasil faturou 27 vitórias e a Copa das Nações na categoria. Números expressivos que também se estendiam ao grid das corridas. Um exemplo ocorreu no Grande Prêmio de Monterrey de 2001. Naquela prova, dez dos 28 carros inscritos pertenciam a brasileiros.
      Logicamente, uma questão que vem à mente de alguns fãs de automobilismo é se os resultados pouco significativos de Bruno nas últimas duas temporadas foram frutos de uma possível "perda de torque" após grave acidente nas 500 Milhas de Indianápolis de 2005. Não creio nessa hipótese. A verdade é que Sebastien Bourdais, um piloto extraordinário e que merece oportunidade na Fórmula-1, aproveitou o período em que o mineiro ficou afastado das pistas - para se recuperar de contusão oriunda do acidente - para cravar, de vez, bandeira francesa no time de Paul Newman e Carl Haas. De qualquer modo, fica a torcida para que Junqueira consiga um bom lugar para 2007. Penso que uma mudança de ares mais radical, como partir à Indy Racing League, daria mais ânimo para Bruno voltar a brigar por pódios e vitórias. Capacidade para andar entre os primeiros colocados esse mineirinho já mostrou que tem.

 

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